O CineBancários, em Porto Alegre, realiza, entre os dias 9 e 12 de fevereiro, a mostra Tempo de Carnaval. A seleção reúne títulos brasileiros que tem como pano de fundo a maior festa popular do país, que começa a partir de sexta-feira 12. Serão três sessões diárias, às 15h, 17h e 19h, com entrada franca.
A mostra é formada pelos longas A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr., e Assim Era a Atlântida, de Carlos Manga, além de dois programas de curtas. O filme de Walter Lima Jr. foi inteiramente filmado durante o carnaval e marca a última aparição da atriz Anecy Rocha, mulher do diretor e irmã de Glauber Rocha, morta tragicamente.
O documentário Assim Era a Atlântida retrata as produções musicais do famoso estúdio Atlântida, quase sempre ambientadas no carnaval carioca. Nos programas de curtas, destaque para produções premiadas como Com que Roupa?, sobre Noel Rosa, Nelson Sargento e Geraldo Filme, que trazem perfis de dois dos principais sambistas brasileiros.
Confirama programação
A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr. (Brasil, 1978, 105 minutos) No intervalo entre dois carnavais de um bloco de Niterói, mulher (Anecy Rocha) se envolve com um rico e ciumento amante. Para submetê-la à sua vontade, ele tenta os mais diversos artifícios, como a tentativa de transformá-la numa traficante de drogas e o sequestro de seu bebê. Desesperada, mas firme, ela procura ajuda de antigos companheiros do bloco carnavalesco Lira do Delírio. Último filme da atriz Anecy Rocha, irmã de Glauber Rocha.
Assim Era a Atlântida, de Carlos Manga (Brasil, 1974, 105 minutos) A Atlântida ficou conhecida com as famosas chanchadas ou comédias populares, que foram o principal produto de um cinema que pretendia firmar-se como indústria. O público lotava os cinemas, reverenciava seus ídolos, numa época (anos 50) em que o musical americano dominava o mundo. Jamais houve uma sintonia tão grande entre o cinema brasileiro e o público. Este documentário reúne trechos dos principais filmes que sobreviveram a um incêndio nos estúdios da empresa, em 1952, e a uma inundação em seus depósitos, em 1971. Um desfile nostálgico de cenas antológicas do nosso cinema, que marcaram o imaginário de várias gerações. Na tela, desfilam o humor irreverente e debochado de Oscarito e Grande Otelo; os galãs Anselmo Duarte e Cyll Farney; as mocinhas Eliana, Fada Santoro e Adelaide Chiozzo; os eternos vilões José Lewgoy e Renato Restier; e mais Emilinha Borba, Francisco Carlos, Jorge Goulart, Nora Ney, Dóris Monteiro, além dos diretores Moacir Fenelon, José Carlos Burle, Watson Macedo e Carlos Manga, que somente na Atlântida dirigiu 21 filmes.
Programa Cine Samba 1 (Duração: 75 minutos)
Com que Roupa?, de Ricardo van Steen (Brasil, 1996, 18 minutos) Um dia na vida de um compositor. Entre brigas de bar, más notícias sobre sua saúde e desencontros com a namorada, Noel Rosa compôs o samba "Com que Roupa?"
Do Dia em que Macunaíma e Gilberto Freyre Visitaram a Tia Ciata, de Sérgio Zeigler e Vitor Ângelo (Brasil, 1998, 20 minutos) O dia em que o samba nasceu, no famoso quintal de Tia Ciata.
Operação Morengueira, de Chico Serra (Brasil, 2005, 16 minutos) Após invasão da Lapa por um bando de terroristas, boêmio incauto tem uma visão mediúnica de Kid Morengueira, recebendo do velho malandro a missão de acabar com a xavecagem no bairro boêmio. Super bang-bang inspirado nos sambas de breque de Moreira da Silva e Miguel Gustavo.
Polêmica, de André Luiz Sampaio (Brasil, 1999, 21 minutos) Filme musical, chanchada mediúnica e documentário. Dupla de vagabundos recebe os santos Noel Rosa e Wilson Batista. Incorporados, e à solta no carnaval carioca, revivem a famosa e polêmica rivalidade dos anos 30, que inspirou sambas antológicos como “Palpite Infeliz”, “Rapaz Folgado” e “Feitiço da Vila”.
Programa Cine Samba 2 (Duração: 111 minutos)
Batuque na Cozinha, de Anna Azevedo (Brasil, 2004, 19 minutos) O filme apresenta as “tias” Eunice, Doca e Surica – Pastoras da Velha Guarda da Portela, conhecidas e respeitadas no mundo do samba por comandar tradicionais rodas de fundo de quintal, eventos que remontam ao século 19, quando baianas da Praça XI, como Tia Ciata, abriam seus quintais para batucadas, umbigadas, capoeira e samba.
Geraldo Filme, de Carlos Cortez (Brasil, 1998, 52 minutos) Um mergulho no universo do samba e na cultura negra paulista através da obra do compositor Geraldo Filme.
Jorjão, de Paulo Tiefenthaler (Brasil, 2005, 18 minutos) Um perfil do diretor de bateria de escolas de samba, Mestre Jorjão. Ele fala da sua relação com os ritmistas, da sua criatividade na hora de criar as famosas "Paradinhas", da polêmica que causou ao introduzir uma batida funk na bateria da Unidos da Viradouro e de como começou na bateria da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. O filme traz fortes imagens da bateria da Mocidade evoluindo no desfile de carnaval na Avenida Marquês de Sapucaí sob comando do mestre e o depoimento da sua esposa, que esperou vinte anos para se casar com ele.
Nelson Sargento, de Estevão Ciavatta (Brasil, 1997, 22 minutos) Retrato biográfico do sambista Nelson Sargento durante uma visita ao Morro da Mangueira – Rio de Janeiro.
Fonte: Imprensa do SindBancários
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